sábado, julho 30, 2005

Hora do Rush

Tudo que queria era chegar em casa. Estava exausto e uma dor pulsava em sua cabeça lembrando-lhe da noite anterior mal-durmida ou talvez o fato de que agora possuia tantos problemas que sua cabeça simplesmente não conseguia comportar todos eles. Passou a andar mais rápido. Um carro freia e o barulho dos seus freios é tão estridente que pensa que um cachorro morreu e deu seu grito final ali bem ao seu lado, e ele odeia a idéia de que um cachoro possa vir a morrer, mais do que a idéia de um homem morrer, talvez se um homem morresse do seu lado nem olharia e se o corpo caísse em sua frente passaria por cima, daria apenas um passo maior, provavelmente nem olharia a cara do defunto, tamanho o desprezo. Atravessou mais uma rua e quase foi atropelado por um carro que fez a curva sem dar sinal. Mostrou seu dedo do meio e cuspiu no carro. Espantou-se, pois não achava que reagiria assim, com tanta raiva, é bem verdade que andava meio puto com a vida, mas aquilo foi muito espontâneo. Passou a prestar mais atenção e de repente eram tantos sons, pessoas vindo em sua direção, carros desgovernados que achou que ficaria doido ali mesmo, se perderia na selva de pedra e se tornaria mais um mendigo maluco que ninguém saberia como foi parar ali ou onde estaria a sua família...

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