domingo, julho 31, 2005
Acho que a atitude dos Los Hermanos de procurarem evoluir, de não se repetir é mais que louvável. Eles poderiam muito bem se acomodar na mesma fórmula e seguir lotando todos seus shows. Mas Los Hermanos não é uma banda comum. Eles arriscam, mas não arriscar por arriscar, arriscam por acreditar que o próximo passo deve ser dado, sem se preocupar com vendagens ou hits. Eles chegam e fazem um álbum sem as tradicionais guitarrinhas do Amarante e que se foda. Eles fazem isso tudo pela música e o resto (fãs, shows lotados) é mera consequência. A música é um fim em si mesmo para os Los Hermanos, nós fãs não somos nada pra eles... Ainda bem!
sábado, julho 30, 2005
Hora do Rush
Tudo que queria era chegar em casa. Estava exausto e uma dor pulsava em sua cabeça lembrando-lhe da noite anterior mal-durmida ou talvez o fato de que agora possuia tantos problemas que sua cabeça simplesmente não conseguia comportar todos eles. Passou a andar mais rápido. Um carro freia e o barulho dos seus freios é tão estridente que pensa que um cachorro morreu e deu seu grito final ali bem ao seu lado, e ele odeia a idéia de que um cachoro possa vir a morrer, mais do que a idéia de um homem morrer, talvez se um homem morresse do seu lado nem olharia e se o corpo caísse em sua frente passaria por cima, daria apenas um passo maior, provavelmente nem olharia a cara do defunto, tamanho o desprezo. Atravessou mais uma rua e quase foi atropelado por um carro que fez a curva sem dar sinal. Mostrou seu dedo do meio e cuspiu no carro. Espantou-se, pois não achava que reagiria assim, com tanta raiva, é bem verdade que andava meio puto com a vida, mas aquilo foi muito espontâneo. Passou a prestar mais atenção e de repente eram tantos sons, pessoas vindo em sua direção, carros desgovernados que achou que ficaria doido ali mesmo, se perderia na selva de pedra e se tornaria mais um mendigo maluco que ninguém saberia como foi parar ali ou onde estaria a sua família...
quinta-feira, julho 21, 2005
Sou só eu ou tem mais alguém enojado com esses dois últimos álbuns do U2? Tipo eu até gostava deles, mas o que não dá eh rock de auto-ajuda. Pra mim rock sempre teve mais a ver com perdição do que com qualquer outra coisa...
domingo, julho 17, 2005
O certo é que seu futuro era previsível, ela sempre fora meio problemática mesmo, aos 12 fumava maconha, aos 14 já tinha repetido duas vezes e feito sexo algumas outras. Mas por trás de toda doidice ele sempre soube que ela tinha algo de inocente, um potencial para ser a mais Amélia das mulheres se não fosse o fato de ter nascido naquela família e naquele caldeirão de emoções que fez com que ela clamasse tanto por atenção. Não se lembra o dia certo em que a conheceu, nem como se deu a aproximação, lembra só do fato de terem se tornado muito bons amigos pelo tempo que tiveram de convivência (um ano). Ela gostava dele e ele meio que gostava dela também, algo meio Yin-Yang mesmo. Os outros a achavam feia, ele achava-a bonita na sua maneira particular de ser bonita. O tempo passou e aqueles que um dia fizeram alguma previsão para a vida de cada um deles provavelmente acertou...
segunda-feira, julho 11, 2005
Chico Buarque - Meu Caro Amigo
"Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem cachaça
Ninguém segura esse rojão"
Parece que essa música foi feita ontem, mas é de 1976...
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem cachaça
Ninguém segura esse rojão"
Parece que essa música foi feita ontem, mas é de 1976...
quarta-feira, julho 06, 2005
Entrou no ônibus, notou que estava vazio, coisa muito rara, mas muito rara mesmo, ainda mais naquele horário em que todas empregadas vão para casa enchendo o ônibus com o inebriante cheiro de perfumes de má qualidade, mas enfim desta vez estava vazio. Pôs as mãos no bolso, tirou seu dinheiro e sua carteira de estudante, deu ao cobrador que nem olhou para sua cara, ficou puto com isso. Tipo não é nem que ele gostaria que o cara desse um sorriso, o abraçasse e desse bom-dia, mas que pelo menos que ele olhasse na sua cara seria suficiente. Escolheu sua cadeira, nem muito na frente nem muito atrás. Sentou-se. No ônibus tocava mais uma daquelas músicas de côrno que os motoristas adoram, notou que até sabia o refrão de tanto pegar ônibus, pra falar a verdade estava até gostando da viagem, uma viagem tranquila, desta vez estava sentado, só coisas boas... Qdo do nada notou um homem vindo em sua direção, não pôde acreditar, mas ele realmente estava vindo em sua direção, o Ônibus vazio e ele vindo em sua direção. O homem chegou ao seu lado e não pediu licença, entrou logo no lugar ao lado. Em sua vida sempre fora meio averso à estranhos, ao lado de estrahos sempre tenta não olha-los, mas aquela figura lhe causou uma certa curiosidade, queria olhar como alguém olha uma pessoa feia, sabendo que é feia só pra confirmar se ela realmente é feia. Foi virando a cabeça fingindo estar vendo alguma coisa que estava passando pela janela, qdo tomou um susto! Os olhos fixos nele, sem a menor cerimônia. Um doido! Sentou-se ao lado de um doido!
A grande questão era: mudar de lugar e, tipo, o homem notar que ele havia se incomodado com a sua presença e sendo o homem um doido fazer alguma doidice? ou continuar ali do lado e correr o risco do homem fazer uma doidice ali mesmo? Decidiu ficar no lugar, achou menos provável ele fazer uma doidice se ele continuasse ali. Olhou meio de lado o homem, só pra checar se ele estava lhe olhando ainda. Notou que não era bem pra ele que o homem estava olhando. Acontece que o homem era vesgo e o doido tava olhando era pra porra da janela da sua direita! PQP! Foi um alívio! "Vesgos são foda! a gente nunca sabe pra onde eles estão olhando!"