domingo, maio 01, 2005

Ele estava lá, chegou feliz em casa. Exausto da viagem, mas feliz em poder voltar para os braços de sua amada. Foram três dias, três longos dias que pareceram uma eternidade, seu amor não aguentava a distância. Bateu na porta, ela não atendeu, "- Deve estar dormindo" pensou. Entrou e o cheiro era diferente. As cortinas fechadas e um bilhete: "Me desculpa! Me desculpa!". Sentou, sem desfazer as malas, sem se trocar. A porta aberta e ele sentado. Esperou... A noite em vigília passou num instante. Não entendia, não foi nem trabalhar, pois ela podia voltar. Afinal de contas: pq ela iria embora? Se tudo que ele fez foi amá-la todos os dias, sinceramente... Em alguma hora ela perceberia isso e retornaria. Mas não voltou no dia, nem no outro, nem no depois... Foram dias esperando... As fotos torturavam-lhe, seus dias felizes haviam passado, tinha que sair dali. Não ligou para ninguém, era humilhante demais, talvez todos já soubessem. "Sempre o último a saber", pensou. Saiu, andou de carro por horas, sem pensar em nada, até a noite chegar... então bebeu, pra esquecer a vida, pra esquecer seu amor não correspondido. Tanto amor, tanto amor guardado no seu peito, reservado pra uma pessoa... todos no bar perceberam: toda tristeza estava nele, era o único triste no mundo inteiro! E os mais atentos ainda puderam ouvir: "triteza não tem fim... felicidade sim".

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