domingo, outubro 30, 2005
Orkut
Lá está o orkut me indagando a escrever sobre quem sou? Digo que naum sei? Digo minhas qualidades (nenhuma delas unânimes)? "Quem sou" em qual sentido pra começar? Gustavo Bevilaqua Vasconcelos filho de Ismael Antônio Vasconcelos e Walkyria Bevilaqua Moreira Vasconcelos dirá meu RG, mas naum acho que seja bem isso que o orkut tá querendo... acho que devo escrever alguma coisa para atrair as gatinhas, algo tipo alto, moreno e atlético, mas isso saiu muito gay e fora que parece que naum tenho conteúdo... Talvez eu devesse colocar frases famosas com as quais me identifico, mas pensando bem naum me identifico com nenhuma realmente... Vai ver o que o orkut quer eh que eu coloque "quem sou" no sentido de como me relaciono com os outros, mas naum acho que eu me relacione da mesma forma com todos, pra uns sei que eu sou chato, cheio de complicações, frio, outros dirão o contrário e no final talvez eu discorde de todo mundo, apesar de nesse caso acho que o mais sensato seria a opinião alheia. Ainda assim, realizar uma enquete para depois então finalmente escrever quem sou no orkut não eh viável... Além de tudo as pessoas vão mudando, não acho que sou o mesmo desde o segundo passado, teria que mudar minha descrição muito frequentemente... talvez se eu achasse aquilo que me é inato, imodificável, minha essência, hum deixa eu pensar... a minha essência eh ser humano, implicando que sou racional, erro e vou morrer com muita probabilidade nos próximos 80 anos, mas isso naum me distingue dos outros seres humanos, talvez até responda a pergunta "o que sou", mas naum "quem sou" na minha individualidade... Sei lá acho que vou deixar em branco mesmo...
sábado, outubro 22, 2005
90
Um cabaré tem algo de triste, uma aura de decadência e estranheza que não lembra nada a idéia de libertinagem e luxúria que tinha na sua cabeça. De fato não há nem conversa, nem mesmo gritos excitados como esperava, só há observação silenciosa. Ao fundo tocava todas aquelas músicas que se rotula como sendo de cabaré (realmente são) enquanto as mulheres faziam seus strips maquinalmente, sem emoções, frias mesmo, sexo não é mais do que seu trabalho mesmo, e no final das contas nenhuma deve gozar mesmo. São poucos no mundo que trabalham com prazer, com elas não deve ser diferente, né?. Os homens, são todos uns fracassados, média de idade alta, todos lá embriagados e, apesar de terem ido só para vê-las, olhavam-nas displicentemente, entre um trago e outro, entre uma dose e outra do melhor whisky paraguaio da casa. Era qse como se elas fossem paisagem, e de uma certa forma eram. Dentro daquele contexto distorcido que eh um cabaré ver uma mulher aberta e se esfregando é algo muito natural...
sexta-feira, outubro 21, 2005
Então pela primeira vez passa a se ver pelo olhos de outro, e, acreditem, é o melhor meio de se conhecer... Tem mais consciência dos seus próprios atos agora, qq q seja o desfecho sabe que evoluiu, e na vida o que se deve procurar eh evoluir num eh naum?
Fora que aprendeu mais sobre esse sexo que fala tanto, nos pergunta tantas coisas além do que somos capazes de responder...
quinta-feira, outubro 13, 2005
..
Tudo fica tão banal com o tempo -e tão chato. Se pudéssemos escutar a nossa banda preferida como pela primeira vez e dissessemos "-Caralho!O que é isso!" toda vez. Se pudéssemos voltar a sentir frio na barriga por estar dirigindo a míseros 50km por hora - é tão pouco, meu Deus!. Tudo vai se tornando cinza e banal. Quero as cores! Ah, se tudo fosse eternamente como a primeira vez.
terça-feira, outubro 04, 2005
Fernado Pessoa
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si-próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si-próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.